Importância da água na alimentação

06 março 2026
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5 minutos

A água de bebida é um fator determinante, mas muitas vezes negligenciado, na produção de leite. Quantidade, qualidade e acesso adequado influenciam diretamente a ingestão alimentar, a saúde, o bem-estar e o desempenho produtivo das vacas leiteiras. Compreender o papel da água e os fatores que condicionam o seu consumo é essencial para garantir a eficiência e a rentabilidade das explorações leiteiras. Oferecer água em quantidade e com qualidade é um requisito básico para garantir o sucesso do efetivo leiteiro.

A água é essencial à vida e, apesar de frequentemente subestimada, é o nutriente mais importante para os animais. É também o nutriente mais consumido pela vaca e esta necessita de cerca de 3 litros de água por litro de leite produzido. Uma diminuição na ingestão de água, representa sempre uma diminuição na produção de leite e também de ingestão de matéria seca do alimento. A água de bebida cobre entre 60% a 80% das necessidades em água das vacas, sendo as restantes necessidades cobertas essencialmente pela água contida nos alimentos.

FUNÇÕES DA ÁGUA NO ORGANISMO DA VACA

A principal função da água é manter a regulação térmica e nutrir as células dos tecidos, além de repor todas as formas de perda de água, como urina, fezes, leite, saliva, respiração e transpiração.

A ingestão de água é desta forma essencial para bovinos leiteiros, desempenhando as seguintes funções:

  • Produção de leite: é fundamental para a sua formação e volume.
  • Nutrição e metabolismo: atua como solvente, transporte de nutrientes, essencial no funcionamento do rúmen, absorção, metabolismo e eliminação de resíduos.
Tabela 1 | Necessidade de ingestão de água diária de vacas leiteiras de acordo com a variação de temperatura ambiente
  5ºC 15ºC 28ºC
Vaca seca 43 l 58 l 78 l
Vaca 15 l 62 l 77 l 97 l
Vaca 30 l 76 l 92 l 112 l
Vaca 45 l 96 l 112 l 132 l

 

  • Homeostase e regulação térmica: mantém o volume sanguíneo, a hidratação dos tecidos e ajuda a regular a temperatura corporal (termorregulação) especialmente em climas quentes.
  • Saúde e bem-estar: previne doenças, ajuda na lubrificação das articulações e no bom funcionamento dos órgãos, sendo fundamental para a saúde geral do efetivo.
FATORES QUE INTERFEREM NA INGESTÃO DA ÁGUA

Existem diversos fatores que podem afetar o consumo de água pelos animais:

  • Taxa metabólica: quando o metabolismo do animal é alto ou acelerado devido ao alto consumo de matéria seca então haverá maior produção de calor e consequentemente aumento no consumo de água.
  • Temperatura ambiente: em situações de temperatura elevada há maiores perdas de água pelo animal e o consumo de água aumenta.
  • Temperatura da água: de uma forma geral, temperaturas da água abaixo de 6 ºC e acima de 36 ºC levam a uma redução no consumo de água pelas vacas. A temperatura ideal da água de bebida deve situar-se entre os 17 e 24 ºC.
  • Humidade do ar: com humidades relativas do ar elevadas ocorre uma redução no consumo de água, diminuição na ingestão de matéria seca e uma diminuição na capacidade de aplicação dos mecanismos de perda de calor por evaporação.
  • Teor de matéria seca da dieta: quando o teor de humidade do bolo alimentar é elevado o consumo de água no bebedouro diminui.
  • Composição da dieta: em casos de rações com alta densidade proteica, muito sal ou bicarbonato ocorre aumento significativo do consumo de água pelos animais.
  • Estado fisiológico: a idade, atividade física, fase da lactação e de gestação influenciam a ingestão de água.
SINAIS COMUNS DE INGESTÃO DE ÁGUA DE MÁ QUALIDADE:
  • Depressão do sistema imunitário e contagem elevada de células somáticas, o que pode levar a uma redução da produção de leite e a má qualidade deste.
  • Aumento das falhas reprodutivas.
  • Quebras na ingestão de alimentos e ingestão irregular.
  • Diarreias e outros distúrbios digestivos.
FATORES LIMITANTES NA INGESTÃO DE ÁGUA:
  • Número insuficiente de bebedouros
  • Má localização dos bebedouros
  • Bebedouros com avaria
  • Bebedouros desadequados
  • Fluxo de água insuficiente
  • Bebedouros sujos
  • Má qualidade da água
RECOMENDAÇÕES DE BOAS PRÁTICAS NO MANEIO DA ÁGUA DE ABEBERAMENTO
  • Coloque os bebedouros a uma altura de 60-90 cm.
  • O bebedouro deve ter pelo menos 120 cm por 40 cm.
  • Deve haver pelo menos 20 cm de profundidade de água no bebedouro.
  • O fluxo de água deve ser pelo menos de 20 l/min.
  • Coloque bebedouros na saída da ordenha.
  • Forneça pelo menos 1 bebedouro para cada 15-20 vacas.
  • Faça a limpeza regular dos bebedouros.
  • Assegure-se que a água dos bebedouros não salpique e molhe os cubículos.
  • Assegure-se que vacas em pé nos cubículos não consigam chegar aos bebedouros.
  • Assegure-se que o “unifeed” não despeje alimentos para o bebedouro.

É fundamental avaliar de forma periódica a qualidade física, química e microbiológica da água oferecida aos animais.

As tabelas abaixo definem um conjunto de parâmetros físico-químicos e microbiológicos analisados em água de abeberamento de animais

TABELA 2 | PARÂMETROS FÍSICO-QUÍMICOS AVALIADOS NA ÁGUA DE BEBIDA PARA ANIMAIS
Ensaio Unidade Valor paramétrico
Sabor   3

Amónia

Condutividade

Cor

mg/l NH4

µS/cm a 20ºC

mg/l PtCo

0.50

2500

20

Manganês µg/l Mn 50

Nitratos

Oxidabilidade

pH

Cheiro

mg/l NO3

mg/l O2

 

 

50

5.0

6.5 - 9.0

3

TABELA 3 | PARÂMETROS MICROBIOLÓGICOS AVALIADOS NA ÁGUA DE BEBIDA PARA ANIMAIS
Ensaio Unidade Valor paramétrico

Micorganismos viáveis 22ºC

Bactérias coliformes

ufc/ml

ufc/100 ml

Sem alteração anormal
/VR 20)

0

Escherichia coli ufc/100 ml 0

Enterococos

Clostridium perfringens

ufc/100 ml

ufc/100 ml

0

0

Em suma, para o sucesso produtivo, reprodutivo e financeiro da sua exploração é muito importante que esteja atento aos tópicos abordados neste artigo e faça análises físico-quimicas e
microbiológicas à água de bebida dos seus animais pelo menos 1 vez por ano. Descuidar a qualidade da água que fornece aos seus animais pode comprometer a rentabilidade da sua exploração.

Importância da água na alimentação

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